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Os territórios de altitude do Minho (NUTIII Alto Minho, Cávado e Ave) têm uma matriz humana com fragilidades sociais e económicas, despovoamento, envelhecimento e um forte declínio da agricultura familiar. São territórios vulneráveis, de zonas desfavorecidas e com processos de risco (1) do património natural e serviços de ecossistema de interesse público (por incêndios e outros processos de degradação dos ecossistemas ligados ao abandono) e (2) do bem-estar e segurança das pessoas das comunidades locais. As atividades agropecuárias estruturam os sistemas socio-ecológicos. É fundamental torná-las mais atrativas, valorizando a sua multifuncionalidade e ampliando o valor acrescentado retido pelos produtores e territórios locais. É igualmente fundamental tornar as aldeias mais atrativas para agricultores e para famílias e negócios não agrícolas, alcançando matrizes sociais diversificadas e resilientes. A transição para multifuncionalidade é estratégica para o desenvolvimento rural. No entanto, as oportunidades económicas ligadas à agricultura e ao património cultural e natural dos territórios serranos não têm sido suficientes para contrariar o despovoamento. Nas cadeias de valor com dinâmicas mais positivas (carne de raças autóctones; turismo de natureza; captação e venda de água, energia eólica) uma parte substancial do emprego, inovação e retenção de valor ocorre fora dos territórios.
À escala microterritorial (aldeias) importa potenciar/otimizar a multifuncionalidade, construindo soluções de integração mais sinérgicas, qualificadas e de maior valor acrescentado entre as atividades agropecuária e florestal, o turismo rural e de natureza, a produção energética e a prestação de serviços ambientais. Um dos aspetos críticos para estas dinâmicas é garantir uma efetiva participação dos agricultores e das comunidades locais no planeamento, gestão e dinamização territorial, desenvolvendo iniciativas integradoras de várias formas de conhecimento (do tradicional ao científico), e inovações progressivas, adaptadas às necessidades locais e às condições biofísicas. Para tal preconizam-se intervenções à escala microterritorial (aldeias), que integrem o conhecimento de contexto e a capacidade de ação dos agricultores/criadores de animais, comunidades e empresas locais, potenciando-os com o apoio colaborativo de uma rede alargada de atores, multidisciplinar e multissetorial, comprometidos com a equidade territorial e sustentabilidade.
(1) Criação e dinamização de plataforma e rede colaborativa digital dedicada aos baldios e suas atividades, abrangendo o universo dos baldios do Minho, em 18 municípios classificados como zonas desfavorecidas do Alto Minho, Cávado e Ave. Esta plataforma permitirá concentrar e tornar acessível informação relevante sobre os baldios (a) facilitando a ação dos diversos atores e decisores do sistema de governança, (b) acelerando a partilha de inovações e boas práticas entre baldios/comunidades e (c) promovendo os baldios e territórios de montanha junto do público em geral.
(2) Dinamizar um processo intensivo de capacitação e inovação in loco, em comunidades locais com baldios, com as comunidades e com produtores de pecuária extensiva, por via da lógica de cocriação e ação colaborativa da rede de parceiros institucionais e empresariais de diferentes setores (agrícola, florestal, turístico, ambiental, de educação e serviços às empresas). Articular e potenciar o alcance destes processos com a mobilização e partilha de conhecimentos de/com outros projetos e iniciativas recentes articuladas com baldios da região Norte, que potenciem a dinâmica de capacitação das comunidades, dos órgãos gestores dos baldios e dos produtores pecuários, para melhor desempenho económico, social e ambiental e maior atratividade para jovens e mulheres (Life Maronesa, Forestwise, APTRAN, incluindo a iniciativa internacional Ganaderas en Red - Fundación Entretantos).
IPVC | Beneficiária principal | 547.996,60 €
Eixo 1 - Criação e dinamização de plataforma e rede colaborativa dos baldios
(1) reunir, completar e sistematizar informação biofísica, socioeconómica e organizativa dos baldios do Minho, integrando-a numa plataforma digital;
(2) identificar, analisar e publicar conteúdos sobre boas práticas e inovação na gestão multifuncional de baldios;
(3) dinamizar a plataforma para uma governança multinível, a transferibilidade de boas práticas entre comunidades e para dar visibilidade social dos baldios.
Eixo 2 ? Cocriação de inovação na gestão de baldios e dinamização comunitária, para a multifuncionalidade e sustentabilidade. Trabalho colaborativo de todos os parceiros institucionais e empresariais, produtores pecuários e gestores dos baldios das serras da Peneda/Soajo e da Amarela/Gerês. Visa desenvolver e avaliar in loco a exequibilidade e o impacto de processos de cocriação de inovações focando:
(1) Os sistemas e práticas de gestão dos baldios, em aspetos ligados à participação, responsabilidade social, integração de diferentes usos, responsabilidade ambiental e estratégias de comunicação.
(2) A potenciação, avaliação e demonstração de resultados (desempenho) em serviços de ecossistema gerados pelo baldio e pela agro-silvo-pastorícia na regulação de incêndios, sequestro de carbono e conservação do solo e da biodiversidade.
(3) A conceção, desenvolvimento ou melhoria de soluções comunitárias de bioeconomia circular valorizando biomassa do baldio para fertilização de solos e produção energética.
(4) À cocriação de experiências (eco)turísticas, por agricultores/criadores de gado, baldios e empresas de animação turística, com interpretação dos agroecossistemas e baldio;
(5) A criação de atividades educativas e de sensibilização ambiental focando os baldios, atividades tradicionais e novas atividades, para jovens de escolas profissionais (EPRALIMA, EPPL) e público (?Escolas de Montanha?, Centro Ciência Viva A. Valdevez).
(6) À avaliação das condições e fatores para potenciar a atração de jovens empreendedores e a promover a sua boa integração nas comunidades, dando relevo ao empreendedorismo feminino na pecuária extensiva e a serviços de apoio à gestão de baldios e animação comunitária.
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